14/01/2011

Brasil precisa de um modelo mais sustentável de negócio

País tem bons relatórios de sustentabilidade, mas como passar de relatórios e comunicação para desempenho real? John Elkington fala sobre o tema. Confira!

De acordo o relatório “A Economia Transparente”, parte da agenda de sustentabilidade, a inovação social vem tomando o espaço da responsabilidade corporativa. Segundo John Elkington, cofundador da Organização Não Social (ONG) SustainAbility, “o desafio da sustentabilidade não é ser somente bom, mas transformar a economia global num modelo mais sustentável de negócio”.

O ambientalista cita o exemplo do primeiro presidente do E-bay, Jeff Skoll, que criou a Fundação Skoll, para pesquisar inovação social. A Fundação Skoll foi criada em 1999, com o objetivo de promover uma visão de um mundo mais pacífico e próspero.

Hoje, a Fundação Skoll conseguiu diversos avanços no intuito de beneficiar comunidades, investindo em indivíduos dedicados a criar soluções para transformar desigualdades sociais, econômicas e ambientais.
O especialista acredita que o Brasil está surgindo neste cenário como um credor ecológico devido a sua biodiversidade. Para ele, a Allianz, que associa treinamento a qualidade, inovação e empreendedorismo social é um bom exemplo disto. Além da Natura, que aparece sempre em uma boa colocação em relatórios de sustentabilidade no mundo todo.

De acordo com o executivo, o Global Reporting Initiative (GRI), organização não-governamental internacional que dissemina diretrizes sobre elaboração de relatórios de sustentabilidade, sinaliza que o Brasil está na frente da Índia e China, em termos de relatórios de sustentabilidade. “A questão é: como passar de relatórios e comunicação para desempenho real?”, desafia.

Elkington avalia que apesar de o Brasil evoluir rapidamente na adoção de relatórios de acordo com o modelo do triple bottom line, ainda é preciso usar estas informações de forma eficiente e agrupada, tirando o foco das grandes empresas e concedendo maior espaço para novas ideias e organizações. “É estimulante observar diferentes setores começando a apresentar seus relatórios. O próximo desafio para o Brasil é coletar estas informações e utilizá-las”, pontua.

Ainda assim, o executivo reforça que a sustentabilidade e a visão do triple bottom line “não é mais uma questão de gestão de risco, reputação, marca, mas uma questão de perenidade para garantir presença em mercados futuros. E existem poucos casos em que este tipo de liderança acontece”.

Elkington defende ainda que para criar uma cultura que favoreça o desenvolvimento sustentável é preciso um engajamento de todas as gerações, do governo e das organizações. “As organizações isoladamente não conseguem alterar a realidade. O governo deve propiciar um ambiente sustentável também”, conclui.

FONTE: http://www.hsm.com.br/editorias/negocios/brasil-precisa-de-um-modelo-mais-sustentavel-de-negocio

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